#primeiroassedio

Eu tinha 12 anos quando sofri o primeiro assédio.

Quintal do Museu dos Brinquedos / BH.

Pelo que andei lendo no FB, fui uma pessoa de “sorte”: muitas mulheres relatam situações em idades de 9, 10 e 11 anos! (…) Minha filha completou 10 anos essa semana…

Como eu sei que não houve nada antes disso? Pq ficou marcado ao ponto de lembrar até hj, quase 30 anos depois.

Essa é a terceira vez na vida que compartilho sobre esse momento.

A primeira foi em um encontro onde só tinham moças, quando o assunto veio à baila, uns seis anos atrás. O chocante dessa reunião: numa mesa de 10 mulheres, pelos menos 8 relataram ter sofrido alguma forma de assédio em idades entre 9 e 15 anos.

A segunda vez foi ontem à noite, para o meu marido.

Comparado a outros depoimentos, nossa!, imagino esse meu ser light. Mas a lembrança do ocorrido está aqui, junto com a sensação no estômago.

Eu tinha 12 anos e minha mãe me pediu pra ir ao açougue da nossa rua comprar carne para o almoço. Desci sozinha e na volta, saindo da loja, um cara de aproximou de mim e com uma habilidade impressionante conseguiu se aproximar do meu ouvido e dizer pra mim: “Deixa eu cheirar o teu cu.”. Apertei o passo e corri pra casa sem saber o que pensar.

Eu tinha 12 anos e o máximo de palavrão que falava era “droga”. Eu tinha 12 anos e em 1989 nem meu primeiro beijo eu tinha dado ainda.

O assédio foi velado, somente algoz e vítima perceberam. Mas a sensação de vergonha e constrangimento, eu sinto até hj.

Se eu quero esquecer? Não, não faço mais questão disso. É marca da minha história.

Mas, do fundo do coração, não quero que minha filha, hj com 10 anos, passe por isso.

O tempo e seus óculos (ou o mito da loja online)

Faz algumas semanas que decidi (e escrevi aqui) que era “hora de dar tchau” ao mercado de Moda.

Mas não tem nada melhor que as lentes do Tempo pra colocar certa clareza nas ideias e na situação. E foi o que aconteceu.

Arara montado no bazar em casa.

Arara montada no bazar em casa.

Hoje, passado certo tempo da decisão inicial, posso pensar melhor e falar melhor sobre o motivo REAL de jogar a toalha. Sim, porque de bate-pronto ficou parecendo algo do tipo “simplesmente chegou no limite”, descobri que não amo isso de verdade ou que não tenho talento. E não foi bem assim. Longe do calor do momento pude pensar bem no que REALMENTE me conduziu a essa decisão.

Entre 2002 e 2004 eu iniciei os trabalhos com a heliarium. Foi penoso, custoso e lá pelos idos de 2005-2006, dei o assunto como encerado pela primeira vez.

Hoje, 11 anos depois e após uma investida razoável de tempo, dinheiro e experiência, o motivo que me leva a novamente abandonar o barco afundando é O MESMO. Acreditem se quiser: de onde eu estou, digo com todas as letras, o maior problema de quem trabalha com Moda, pelo menos no RJ, é o ACESSO AO MERCADO!

Eu li direito?!?! Sim, vc leu direito!

“Mas, e esse monte de bazar e feira e a Babilônia… ? Pô, dá pra fazer loja virtual grátis… Cara, e o FacebooK? Já tentou vender por lá? Muito gente tá ganhando dinheiro com isso…”

Sim, eu já ouvi e pensei sobre tudo isso aí em cima. O que é mais estranho é que parece que criaram-se alguns mitos sobre o acesso ao mercado de Moda que começaram a ser replicados e ninguém parou para questionar (ou se questionar) no meio do caminho.

Tá sentado? Vou me estender um pouquinho nesse assunto… Vamos lá!

Mito 1) Ah, mas tem um monte de feiras, e bazares, e eventos..

Quando parei tudo a primeira vez em final de 2004, fiquei até Abril desse ano sem colocar os pés em evento algum ligado ao comércio de Moda. A primeira vez que visitei algum evento em todo esse tempo foi num fds em que aconteceu simultaneamente uma edição da Carioquíssima e outra d’O Cluster. Bati ponto em uma no sábado e outra no domingo.

Tinha a galera de Moda? Sim, tinha. Bastante até! Mas, pensando um pouco mais detidamente sobre a possibilidade de participar ou não do evento, de uma dessas feiras ser um CANAL DE DISTRIBUIÇÃO como dita a cartilha, detectei um probleminha (pra mim, não pros outros): os produtos desses eventos estão todos iguais! Sério. Dá uma olhada mais detida, com calma e olhar seletivo. Salvo raríssimas exceções, o que, via de regra, vai-se encontrar é: roupas femininas estampadas (algodão ou viscose), camisetas estampadas (masculino e feminino), bijoux com pegada boho (metal, courinho, corrente, contas e penas), bolsas, bolsinhas e bolsetas de tricoline estampada, acessórios decor estampados com temática pop/nerd/cultura dos anos 80 e… acabou!

Eu disse que era problema pra mim, não pra quem está lá, ok?

Ah, mas então se o seu produto é bem diferente, é uma vantagem pra vc!

Não, não é. Amigx, não podemos esquecer de um certo “efeito manada” na situação.

Vamos pensar na contra-mão. Se eu for ao shopping e montar uma loja no melhor esquema loja popular, bem Saara, vcs acham que os consumidores, mesmo os que estão acostumados a entrar em lojas populares em outros lugares, vão entrar só “porque é diferente” das demais lojas? Eu não arriscaria meu parco dinheirinho nisso. E vc?

No fundo, muito pouca gente banca o “sou diferente”. Nesse caso da feira, o ser diferente é endossado pelo produto diferenciado, do stand diferenciado. E como eu não quero ser excluído do clube, vou onde todo mundo vai. E o produtor realmente original acaba por não encontrar aí uma maneira de acessar o mercado.

Digo, já disse pra várias pessoas e repito: num evento desses, o único que ganha realmente dinheiro é quem aluga os stands. É o único que começa a feira com o seu garantido. Para todos os demais participantes é sempre uma incógnita. E de uns anos pra cá não ouço ninguém dizer com plena convicção que “vendeu bem”. Inclusive vejo muita gente fazer vários eventos, correndo pra lá e pra cá, pra conseguir manter um nível mínimo de faturamento. E poder viver dignamente.

E não desejo esse desgaste pra mim nem pra ninguém. 😦

Ah, mas esse trampo todo é só no começo… Sim, mas a questão é: por quanto tempo alguém aguenta sobreviver, só no começo? Quanto tempo um negócio aguenta com uma saída maior que a entrada? O coração pode até aguentar essa pancadaria mês após mês mas o fluxo de caixa, não.

E mais: será que eu quero continuar a fazer parte desse mercado tão cruel? Eu sei que crueldade capitalista ainda vai existir por algum tempo, mas hj, depois de tudo o que passei, prefiro buscar vias mais orgânicas pra exercer meu ofício.

PS.: Já, já coloco o mito 2 no ar!

A lenda do “fazer o que vc ama”.

Diz a lenda que se vc realmente ama alguma coisa, vc a fará bem pq seu fazer virá do coração, resultado da mais pura paixão.

Mas e se isso realmente não passar de lenda?

Tem umas três semanas que eu esbarrei no Facebook com esse texto aqui sobre não fazer o que se ama, mas sim fazer aquilo no qual se é realmente bom. Nele o autor explica como ao longo da sua vida foi obrigado a encarar uma triste verdade: apesar de amar muito, muito, muito um determinado ofício, a sua habilidade ninja era em outro departamento completamente diferente. E como ele encarou por fim esse triângulo amoroso profissional.

Pq a única verdade verdadeira é > ninguém quer (ou gosta) de admitir que não é tão bom assim em algo que ama de verdade! Ninguém espera, por exemplo, ouvir da Madonna que apesar de mandar muito bem no cenário musical pop, a verdadeira paixão dela é ser simplesmente mãe!!! Ou isso é impossível?!

Desconfio, inclusive, que essa lenda sem suas raízes no marketing. Pensar que a Madonna é a Madonna só pq ela faz isso muito bem, sem necessariamente ter alguma paixão avassaladora envolvida, não a faz parecer menos brilhante, menos mágica? 🙂

Bom, o fato é > esse texto ficou aqui, na minha cabeça, no meu coração, na minha alma. Ao longo dos últimos anos, com uma infinidade de tropeços, nos demos (sim, eu + família) um tempo mais que razoável pra paixão dar um resultado sólido (ninguém vive só de paixão). E a despeito de muita coisa (lista imensa, infinita!) “a coisa não andou”. É verdade que o “cheguei até aqui” é incontestável. É fato. Existe no aqui e agora, aqui e agora! Mas quando penso no que é preciso AINDA, vejo que não tenho vocação (nem paixão) suficientes para continuar numa relação onde só um lado dá (eu!), sem receber nada em troca (minha carreira na área de Moda).

Ah, mas tem tanta gente que tá aí, dando certo (assim a gente acha)… Será que vc não tem que tentar mais um pouco antes de desistir mais uma vez?

Não. Não tenho.

E como o rapaz do texto vejo que é hora de dizer: não fiz o que eu amava. E foda-se.

Vou fazer aquilo que eu sei (e todo mundo concorda) que eu sou boa. Pra caralho.

E vou ser feliz. 🙂

PS1: Ah, tá curiosx pra saber, afinal, no que eu boa pra caralho? Organizar e controlar “coisas”. Simples assim!

PS2: Não vou deixar de amar o que amo hj. Mas vou colocar finalmente minha habilidades ninja a serviço da humanidade. 🙂

A insustentável firmeza de uma planilha de excel #3

Caminho até a entrada da Caverna do Diabo

Caminho até a entrada da Caverna do Diabo

Se todas as estradas começam no primeiro passo, todos os meus ‘recomeços’ começam com a boa e velha (praticamente uma balzaca!) planilha de excel.

Não tem como ser diferente. Me parece impossível produzir qualquer tipo de conteúdo digno do nome planejamento numa folha em branco! Como assim??? Palavras listadas, alinhadas, soltas, flutuando na folha em branco??? É impossível se sentir amparado sem aquele monte de células vazias ao redor do texto que importa, ancorando, protegendo, resguardando o que está sendo pensado.

É bem verdade que a folha do word aceita tudo, incondicionalmente. Nada de formatação específica, nada de digitar uma fração e virar um número inteiro, nada de digitar uma data e virar fração…

Mas a célula do excel, ah… essa, se você ‘ensinar’, faz coisas que o outro não faz!

E planejamento que se preza tem início, meio e fim.

E tem listas de tarefas.

E tem cálculos e memórias de cálculos.

E tem metas, objetivos, missões, visões e descrições…

Acho que é isso: planejamento bom é planejamento vivo. A gente manda daqui e a planilha devolve de lá! Mais ou menos como a vida real.

Ontem dei meu enésimo ‘primeiro passo de recomeço’: criei a planilha projetos.xlsx

Ah, o primeiro dia de férias… #2

keep calm férias_thumb[4]

Segunda-feira. Primeiro dia da semana. Primeiro dia útil de Junho. E primeiro dia de férias.

Sete anos separam a formatura em Administração da entrada em Museologia. Por isso é uma surpresa, ao refletir sobre as 24hs anteriores, descobrir uma alegria tímida (nem pareceu eu!), sorrindo sem grandes estardalhaços, tranquila, quando penso ‘estou de férias finalmente…’

Porque parece uma coisa tão infantil, essa de alegria de férias. Passamos anos vivenciando, série após série, período após período depois do colégio, esse momento mágico de jogar livros e cadernos ao alto… Não teria o menor sentido essa euforia depois de véia… rsrsrs

Gostei! Taí mais uma prova de que dá pra se manter jovem de espírito. Ao menos no se refere às férias estudantis!

É… melhor que sentir alegria, é sentir essa alegria inesperada!

Boas férias pra nós! : )

 

PS.: Não preciso dizer de onde tirei a imagem do post, né? Caiu feito luva!

Espaço de trabalho: o popular home office #1

Vista beeeeeeem parcial do mesão de trabalho. Oba!

Demorou. Mas saiu.

Definitivamente esse é o melhor evento das últimas 24h: tomar posse do meu espaço de trabalho “inhome”.

A mesa de trabalho está finalmente instalada no quartinho, aquele lugar estratégico da casa, longe do barulho, das vozes, do “mamãeeeeeeeeee…”

O trabalho já pode recomeçar.

As ideias já podem voltar a florescer.

É mais do que espaço de trabalho: é respiro.